segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Macia como o algodão, transparente como o papel de seda

Naquela noite senti que o Mundo ruía desalmadamente perante a minha alma.
Percorri cada canto e recanto do meu enorme quarto, na procura de rede para conseguir ouvir, sem ruídos, a rádio.
Era tudo o que precisava. A música acalma-me a alma e naquele dia nada a poderia substituir... já que o meu mp3 também sofria de algo sem cura, sem restauro.
Os ruídos teimavam em fazer-se ouvir e a minha paciência era pouca.
Deitei-me, enterrei a cabeça na almofada felpuda e chorei até não suportar mais as dores abdominais.
Por mais que me tapasse até às orelhas e aumentasse a temperatura do aquecedor eléctrico, os calafrios subiam-me dos pés, às pontas dos cabelos, serpenteando até lá, os meus caracóis.
Passavam-me breves recordações pela cabeça. Relembrava-me do seu corpo desfalecido espalhar-se sobre os meus braços, como o sangue nas veias. Sentia suavemente as suas mãos enrugadas e flácidas, escorregarem-me pela face, assim como uns patins numa pista de gelo, até à exaustão.
A sua pele macia como algodão, estava transparente como papel de seda. Eu sentia-a ainda deitada sobre o meu regaço, sem vida.
Tentei a todo o custo despertá-la, salvá-la, tentei mantê-la quente, teimei em ouvir e sentir o seu coração, mas algo foi mais forte que eu e apoderou-se por completo dela. Roubaram-ma para sempre...
Senti-la-ei até aos fins dos meus dias, bem aconchegada junto a mim, como um bebé. Poderei sentir o seu respirar, junto ao meu pescoço... E isto, ninguém me tirará, ninguém...
Já não conseguia pensar noutra coisa a não ser nas saudades que me consumiam e não haviam maneira de se afogar junto com as minhas lágrimas.
Amo-te "vó"*

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A canção suave do vento




A exaustão à flor da pele
Os sentidos que se despertam
Das cantigas leves e suaves do tempo

O cansaço a pesar junto do orvalho da manhã
Leva aos subúrbios da solidão
Nos confins do coração entristecido


A música embala a alma sombria
De todos os que sonham viver e ser
O véu transparente e húmido das teias
Enleia-se no peito ferido e sensível




Lourinhã, 11/Outubro/2010

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Maravilha && Dedicado ao Aleixo simplesmente porque ele é uma MARAVILHA!



Maravilha é pensar que não há chuva

Maravilha é o espreitar do sol, pela manhã cedo

Maravilha é acordar, olhar o céu, pular de nuvem em nuvem, sem cair
Maravilha é ouvir os pássaros cantar, escutá-los, sem medo

Maravilha é poder correr pelo campo, saltitar como uma bola, feliz.
Maravilha é o mergulhar de olhos abertos, correr por entre grãos de areia, o renascer

Maravilha é lutar e conseguir alcançar o desejo, o sonho, o querer, o esperado
Maravilha é poder abraçar-te, vaguear como o vento. Maravilha é viver.

Maravilha é conquistar alguém, com amor.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Prendeste-me nas tuas redes

O mar corre-me nas veias
A areia constitui o sal da minha comida
O meu instinto é como o das sereias
Sem as algas, sinto-me sem essência, despida
As conchas são o meu prato, das memórias
As ondas do meu cabelo estão brancas, do sal, dos meus cansaços
As pedras, com cores, são as minhas vitórias
As pedras, sem cores, são os meus fracassos
O céu é o meu tecto, é o paraíso
A voz do vento, o assobio, a velocidade
É um sinal, é um chamamento, é um sorriso
As estrelas do meu mar, as estrelas do meu tecto são a verdade
As dunas são os altos e baixos da minha vida
Eu sou como um barco de pescadores
Estava de chegada, agora, estou de partida.
Para as profundezas do oceano, para junto dos meus amores.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nada te impede...


A distância não te impede de amar,

O amor, não te impede de sonhar.

O sonho não te impede de ir mais longe,

Ir mais longe significa lutar.


Com o passar do tempo, com o passar da história, vives cada momento, cada memória…

Cada memória a pensar, a viver com tantos medos, a apreciar o silêncio e a escutar segredos…

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um mar de emoções marcantes


Um mar de sentidos, paixões
Umas gaivotas, livres, encantadas
Um fim de tarde, emoções
Um beijo, recordações amadas
Um olhar, um abraço, uma esperança
Búzios, conchas e amor
Duas vidas, uma lembrança
Uma sombra, dois corpos, unidos
Uma canção eterna, fantástica
Mar de ondas, cansados, adormecidos...

sábado, 8 de maio de 2010

Ausência


Uma lágrima e um sorriso

recordados eternamente,

no paraíso.

Porquê?

Porquê não sei, ninguém me disse.

Dia após dia, noite após noite...

Começo a sentir o sabor da tua ausência...