Tão doce, a melodia, vagueava pela casa, em cada canto e recanto...abrilhantava os móveis, clareava os vidros, sossegava a alma e sobretudo penetrava profundamente no coração daqueles que a ouviam. Embalava a criança que existia em cada um daqueles que, com o passar do tempo, se esqueciam da verdadeira essência da vida, da alegria que é ouvir os pássaros cantar logo pela manhã... de apreciar cada dia com alegria e paixão. Daqueles que já não dão a mão, já não beijam perdidamente na rua, já não sentem o brilho nos olhos... aqueles que secam por dentro, tristemente.
E assim, com aquele piano, as janelas abriram-se e o vento entrou, fazendo suscitar em cada um, o que há muito se tinha apagado.
Por vezes existem pessoas que entram em nós, como uma melodia cativante e se espalham no nosso sangue, nos viciam, nos fazem sentir e perceber a verdadeira razão da nossa existência...






