(Fictício)
20h00min
Acabei de me vestir a preceito para o jantar que anseio há dias. Alisei o cabelo e vou maquilhar-me (para ele não notar alguns dos meus pontos negros). O meu coração está tão impaciente... tenho uma sensação de que me vai rasgar o peito e pôr-se a andar. Acho que vou mudar de roupa... estou indecisa, entre aquele vestido vermelho, que é um pouco arrojado e aquele azul que já é mais simples... Oh my god! são quase horas de ele chegar e eu ainda ando aqui feita parva!
Fico como estou! Conhecendo-o como conheço ele não é de fazer muitas cerimónias...
Está quase... faltam breves minutos. Sentei-me no sofá, com cuidado para não amarrotar o vestido, cheirei o hálito, bati o pé de ansiedade.
20h30min
Ele veio buscar-me. Trazia uns ténis da Nike, umas calças de ganga (rasgadas nos joelhos), uma tshirt vermelha (de marca desconhecida)... fiquei boquiaberta, pensei que ele se tivesse arranjado muito mais!
Fomos a pé, o carro dele estava na oficina a restaurar o pára choques.
21h34min
Os meus pés estão cheios de bolhas...estou de rastos... help me! Pedi-lhe que não andássemos mais... ele sugeriu que comêssemos na caravana de hot dogs que havia a uns metros. Aceitei, estou cheia de fome, que venha qualquer coisa comestível!
21h35min

Apareceu-me com dois cachorros a transbordarem de Ketchup, pinguei o vestido e quase explodi de fúria!
Ele abraçou-me e disse:
- Amor, sei que esta não era a noite que desejavas. Sei que andaste muito ansiosa por este dia, para festejarmos o facto dos teus pais, finalmente permitirem o nosso namoro. Mas virão mais noites para podermos estar juntos, sim porque o que interessa é o facto de estarmos juntos. Não estamos num restaurante à luz das velas nem a comer nada requintado, mas mesmo assim... quero pedir-te uma coisa. Queres casar comigo?
Fiquei estupefacta!
21h38min
Só agora é que retomei o fio à meada e respondi-lhe que sim, como é óbvio. O cenário era: sentadinhos num banco de jardim, a caravana dos hot dogs em frente, apenas uma luz do candeeiro da rua a acender e a apagar, um odor a comida... e sobretudo, a brisa que transportava o amor pelas redondezas...